Michael Bloomberg reforça luta contra cigarro com banco de dados on-line

26 July 2019
Alice Hancock
Valor

Uma plataforma on-line que traz uma lista de empresas que contribuem para promover a indústria tabagista é o mais recente esforço de uma iniciativa de US$ 20 milhões, financiada pelo bilionário americano Michael Bloomberg, para fazer frente às táticas do setor. O banco de dados, lançado ontem, foi reunido pela Stopping Tobacco Organisations and Products (Stop), primeiro grupo de campanha coordenado mundialmente contra o setor de cigarros. O sistema lista empresas, centros de pesquisa e organizações que, segundo a Stop, promovem o tabaco sem, necessariamente, reconhecer os laços com o setor.

“As empresas de cigarros são tão pouco confiáveis que precisam de outras organizações para transmitir suas mensagens às autoridades e aos consumidores”, disse Anna Gilmore, diretora do Grupo de Pesquisa em Controle do Tabaco da Universidade de Bath, no Reino Unido, que fez parceria com a Stop.

As empresas de cigarros tentam dar uma guinada em direção a produtos alternativos como cigarros eletrônicos, à medida que o número de fumantes cai no Ocidente. Mas ativistas antifumo acusam essas companhias de emitir mensagens contraditórias porque a maior parte de seus lucros ainda vem das vendas de cigarros. Dados da empresa de pesquisa Nielsen mostram que no Reino Unido o número de cigarros vendidos no período de doze meses encerrado em 13 de julho caiu em 2,3 bilhões de unidades, frente ao mesmo período do ano anterior. Nos Estados Unidos, os volumes caíram 9,8% no período de quatro semanas encerrado em 13 de julho.

A Stop foi lançada no ano passado, com US$ 20 milhões em recursos de Bloomberg, que empenhou quase US$ 1 bilhão em esforços contra o fumo desde 2007. Em comunicado, Bloomberg disse que a organização de vigilância cobrará responsabilidade ao setor.  “Não podemos assistir impassíveis enquanto o setor ludibria a opinião pública no esforço de fazer com que mais pessoas se viciem em seus produtos”, afirmou.

A Philip Morris disse que trabalhou com centros de análise e pesquisa do mundo inteiro e que exigiu que suas parceiras fossem transparentes sobre seus laços com a empresa. “Infelizmente, existem algumas ONGs que não querem falar sobre soluções melhores para fumantes adultos; em vez disso, querem fechar qualquer diálogo sobre essa questão social crítica”, disse a empresa.

O lançamento do banco de dados ocorre na mesma semana em que as companhias mantenedoras da British American Tobacco (BAT) e da Philip Morris foram citadas como rés em processo de saúde pública no Brasil, maior mercado latino-americano de tabaco.

A iniciativa se segue ao processo julgado em março no Canadá, no qual o Tribunal de Recursos de Quebec confirmou decisão tomada em 2014 de cobrar US$ 15,6 bilhões de dólares canadenses (US$ 11,7 bilhões) em indenizações da BAT e da Philip Morris, bem como da Japan Tobacco, para compensar fumantes por problemas de saúde. 

Em seu mais recente relatório anual, a Philip Morris disse que “pedidos de indenização feitos em contencioso ligado ao tabaco são significativos e que, em determinados processos no Brasil, no Canadá, em Israel e na Nigéria, chegam a bilhões de dólares”. A BAT disse estar a par do processo no Brasil e afirmou que ele será “energicamente contestado pela BAT quando a empresa tiver acesso formal ao processo”.